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Até quando médicos trabalharão sob ameaça?

O episódio ocorrido no dia 28 de janeiro, na UPA da Barra, em Balneário Camboriú, no qual um médico foi ameaçado por um paciente com arma de fogo após não conceder um atestado médico, expõe mais uma vez uma realidade que não pode ser naturalizada: a crescente insegurança vivida por médicos e demais profissionais da saúde no exercício da profissão, especialmente na rede pública.

Não se trata de um fato isolado. Casos de agressões verbais e físicas contra profissionais de saúde têm se repetido em Santa Catarina e em todo o país. No ano passado, em Itajaí, médicas também foram agredidas em seus locais de trabalho. Até quando vamos seguir assim?

Como defensores dos médicos, reafirmamos que nenhum profissional pode ser ameaçado, intimidado ou violentado por cumprir critérios técnicos e éticos no atendimento. Decisões médicas, como a emissão ou não de um atestado, fazem parte do ato profissional e não podem ser tratadas como motivo de confronto.

É inadmissível que profissionais que dedicam suas vidas ao cuidado da população trabalhem sob medo, pressão e risco. Defendemos o fortalecimento da segurança nas unidades de saúde, políticas efetivas de valorização profissional, respeito às equipes de saúde  e responsabilização rigorosa em casos de violência.

Não bastasse a violência explícita, médicos convivem diariamente com a falta de perspectivas na saúde pública. Trabalham sem plano de carreira, muitas vezes sem garantias trabalhistas, sem segurança de receber pelo serviço prestado e enfrentando a desorganização e a falta de fiscalização do poder público. Nesse cenário, a ameaça armada choca, mas revela um problema ainda maior: um sistema que fragiliza quem dedica a vida a cuidar dos outros.

Cuidar de quem cuida não é favor. É dever do Estado e compromisso de toda a sociedade.


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