O Sindicato dos Médicos de Santa Catarina (SIMESC) participou de reunião com a Prefeitura de Florianópolis para retomar o debate sobre a implantação de uma gratificação por produtividade médica na rede municipal. O encontro reuniu representantes do sindicato, do corpo clínico da Secretaria Municipal de Saúde e do Conselho Regional de Medicina.
Durante a reunião, o diretor clínico da Secretaria Municipal de Saúde, Fábio Alves Schneider, apresentou uma proposta estruturada de gratificação vinculada ao desempenho dos profissionais. A iniciativa tem como objetivo enfrentar um dos principais problemas da rede: a dificuldade de retenção de médicos e a alta rotatividade nas equipes.
Segundo o diretor, Florianópolis tem perdido profissionais para municípios vizinhos e para a rede estadual, onde já existem mecanismos de incentivo financeiro. Esse cenário, conforme destacou, compromete a continuidade do cuidado, aumenta custos para o sistema e impacta diretamente a qualidade do atendimento à população.
A proposta prevê a criação de uma gratificação baseada em critérios objetivos, como produtividade, tempo de permanência na unidade, qualificação profissional e participação em atividades adicionais. A medida busca valorizar o trabalho médico, estimular a permanência dos profissionais na rede municipal e fortalecer a organização dos serviços de saúde, especialmente na Atenção Primária.
Na sequência, o prefeito de Florianópolis, Topázio Silveira Neto, reconheceu a relevância da proposta e destacou que a iniciativa vai ao encontro da necessidade de valorização dos médicos da rede municipal. Ele ressaltou que a construção de uma solução deve considerar a contribuição das entidades representativas, reforçando que o diálogo com o sindicato e demais instituições é fundamental para o avanço do tema e para a definição de um modelo viável para o município.
Representando o SIMESC, a vice-presidente da entidade, Anamar Brancher, destacou a importância da gratificação como instrumento de valorização profissional e de fortalecimento da assistência à população. Segundo ela, “a medida tem impacto direto não apenas nas condições de trabalho dos médicos, mas também na qualidade do atendimento, ao estimular maior engajamento, produtividade e continuidade do cuidado”.
Já o secretário-geral do sindicato, Cyro Soncini, ressaltou que a proposta encontra respaldo em experiências já consolidadas no estado de Santa Catarina. De acordo com ele, dados demonstram que a adoção de gratificações por desempenho na rede estadual resultou em aumento significativo da produção médica, contribuindo para a ampliação do acesso e a redução de demandas reprimidas.
Durante a reunião, também foi destacado que a valorização dos profissionais está diretamente relacionada à melhoria dos indicadores assistenciais. A fixação dos médicos nas equipes, especialmente na Atenção Primária, tende a qualificar o cuidado, reduzir a necessidade de exames e encaminhamentos desnecessários e garantir maior resolutividade no atendimento.
Para Florianópolis, a estimativa apresentada aponta para um impacto significativo: aumento de aproximadamente 11 mil consultas mensais na Atenção Primária (crescimento de cerca de 19,8%), além de incremento de 1,1 mil consultas em CAPS e policlínicas (15,5%). Nas UPAs, a projeção é de aumento médio de 50 consultas por médico ao mês, o que pode representar crescimento de até 30% na produção. Com isso, a expectativa é reduzir em até 20% as filas do sistema em um ano.
Além do aumento da oferta, a proposta também prevê ganhos indiretos importantes, como maior estabilidade das equipes, melhoria na continuidade do cuidado, estímulo à educação continuada e qualificação profissional, além da redução de faltas e maior comprometimento dos médicos com a rede.
Ao final da reunião, ficou encaminhado que a Prefeitura irá avançar na análise do impacto financeiro da proposta e na definição dos critérios técnicos para sua implementação. A estimativa de custos e o detalhamento operacional deverão ser apresentados em um novo encontro, previsto para ocorrer no início de abril.
O sindicato destacou que seguirá acompanhando o andamento das discussões e reforçou a importância de que a proposta avance de forma concreta, como medida estratégica para a valorização da categoria e para a melhoria do atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) na capital.
Também participaram da reunião a diretora de Patrimônio do SIMESC, Zulma Sueli Carpes da Natividade; o 1º vice-presidente do CRM-SC, Juliano Pereima de Oliveira Pinto; e, pela Prefeitura de Florianópolis, a secretária de Gabinete Claudia Regina Ferreira e a subprocuradora-geral adjunta Karoline da Silva.